
DEDICAÇÃO, HONESTIDADE, ESPERANÇA E TRABALHO.
Diretor-presidente do Grupo Minasprev, Sr. Érico Ricardo Matucuma conta o segredo do sucesso pessoal e fala de sua trajetória que o levou de sua infância simples à direção de uma das maiores empresas do setor de Assistência Familiar do país.
Nascido em Guaíra, interior de São Paulo, há 35 anos, Érico cultiva os mesmos valores morais recebidos de seu pai e conta o segredo de uma vida dedicada ao trabalho, aos sonhos e à perseverança.
- COMO FOI A SUA INFÂNCIA?
Foi muito sofrida. Não nasci num berço de ouro. Já fui com tênis rasgado pra escola. Enquanto os colegas de uma classe social melhor iam comer salgado na lanchonete, eu ia para o refeitório tomar sopa. Isso serviu para mim como uma grande lição de vida. Aprendi a lutar para conseguir a ter minhas coisas. Hoje posso ver que foi uma grande vitória por ter tido que lutar por meus objetivos.
- O SR. TEVE UM AMADURECIMENTO PRECOCE?
Ter uma empresa funerária já era um sonho que eu tinha aos 6 anos de idade. Fazia a urna de caixinha de fósforo. A maquete dos castiçais era feira de bambu, daqueles espetinhos de churrasco embrulhados em papel laminado. Ficava fazendo enterros de borboleta, besouros... Tenho essa maquete até hoje! Os tapetes eram de retalhos de jeans. Era um sonho que se tornou realidade através de muito sacrifício.
- COMO INICIOU SUA VIDA PROFISSIONAL?
Aos 15 anos comecei a trabalhar na prefeitura de Guaíra, na guarda-mirim. Aos 16 passei para estagiário. Aos 18 assumi a junta de serviço militar, na qual fiquei até os 19 anos, quando resolvi ir para o Japão trabalhar para levantar capital para realizar o meu sonho.
- QUANTO TEMPO O SR. FICOU NO JAPÃO?
Fiquei dois anos e meio. Trabalhava como prensista numa empresa que fabricava peças de automóvel para a Mitsubishi.
- POR QUE ESCOLHER LAGOA DA PRATA-MG PARA IMPLANTAR A FUNERÁRIA SÃO FRANCISCO?
Nada acontece por acaso. Era para eu ter montado a empresa em Arcos-MG, cidade que fiquei conhecendo quando a funerária de Guaíra trouxe uma senhora que faleceu em um acidente. Iniciei todo o processo para a solicitação do alvará. A prefeitura de Arcos-MG me enrolou uns seis meses. Não dizia nem que sim, nem que não, mas não cedia o alvará. Gostei tanto da região que resolvi abrir a funerária em Paíns-MG. Dentro da prefeitura daquela cidade, esperando para ser atendido, pedi uma lista telefônica. Folheando as páginas amarelas, localizei a cidade de Lagoa da Prata-MG. Vi que aqui tinha apenas uma funerária. Pedi o telefone emprestado e liguei para a prefeitura de Lagoa. Isso foi em junho de 1996. A prefeitura, então, me convidou a vir pra dar entrada na documentação. Meu primeiro contato foi com o Sélzer, que trabalhava na contabilidade da prefeitura, hoje proprietário da Maderprata. Ele disse que me daria apoio. Foi, inclusive, meu fiador. Como eu não conhecia ninguém, agradeço muito a ele.
- COMO FOI O COMEÇO DO TRABALHO NA CIDADE?
Na época eu tinha apenas um veículo (Santana Quantum preta), dois jogos de castiçais, duas dúzias de cadeira, dois tapetes e o imóvel era alugado. Com pouco tempo de trabalho na cidade meu dinheiro tinha acabado. Gastei muito com a compra dos materiais para a funerária. O primeiro ano foi muito difícil. Nesse período não tinha dinheiro para comprar carne. Minha alimentação foi a base de arroz, salada de tomate e ovo. Eu não tinha geladeira. Uma senhora vinha durante o dia, fazia a comida e deixava num lugar mais fresco. Num dia, creio que a comida estragou e peguei uma infecção intestinal. Não tinha dinheiro pra comprar remédio e nem pra ir no médico. Foi por Deus mesmo eu ter sarado. Foi num final de semana. Eu havia feito dois funerais na semana anterior. Na segunda-feira venceria o aluguel. Pensei: “Puxa vida, terei que ligar para o meu pai para pedir dinheiro emprestado!”. Justamente nesse, eu estava deitado no meu colchão. Fiquei três anos e meio dormindo no chão. Nos três primeiros dias em Lagoa eu dormi em cima de um madeirite.
Eu estava deitado passando mal quando a campainha tocou. Tinha muita náusea, dor de cabeça e dor no corpo. Levantei e fui atender a família, que veio me pagar o funeral de uma criança que eu tinha buscado em Divinópolis. Na época, o dinheiro do funeral era a conta para quitar o aluguel. Quando a família veio e me pagou agradeci muito. Mesmo passando mal, por não ter dinheiro, não quis tirar esse dinheiro para comprar remédio e paguei o aluguel. Deus tem me ajudado muito desde o princípio. Por causa desse episódio, quando adquiri uma estrutura já formada, resolvi não cobrar funeral de criança até um ano em todas as unidades da Funerária São Francisco. Essa é a forma de eu agradecer um pouco o que Deus tem feito por mim.
- QUAL ERA A DIFERENÇA DO SERVIÇO FUNERÁRIO QUE O SR. PRESTAVA COM RELAÇÃO AO QUE SE TINHA COMO REFERÊNCIA NA REGIÃO, QUE MEXEU COM A CIDADE NA ÉPOCA?
Foi o amor. O amor que a gente trata o corpo. Sempre ensinei à minha equipe não maltratar o corpo. Aquele corpo já teve vida, já foi amado, já foi filho ou pai. Então ele teve uma história de vida igual. Temos que respeitar a história daquele corpo. Tenho uma coisa comigo que é um dom mesmo, que é tratar o corpo e atender a família com amor. Antes, aqui na região não tinha a prestação de serviço funerário. A funerária vendia a urna. Se tivesse dinheiro a funerária colocava flores, se não tivesse não colocava. Nós não. A Funerária São Francisco chegou com outra mentalidade. Além de vender a urna, a gente prestava o serviço, que era deixar a família tranquila para velar o ente querido falecido. Preocupamo-nos com a nota de falecimento, com o café, com a montagem do velório e com o cuidado com a preparação do corpo.
- QUE SITUAÇÃO PODE ILUSTRAR ESSA MENTALIDADE?
Teve uma história que muito me comoveu. Faleceu um andarilho em Lagoa. O corpo ficou no hospital sem ser preparado. Eu fiquei sabendo e fui ao necrotério. Perguntei se podia arrumar o corpo. Eles me disseram: “Só que ele não tem família. Você não vai receber pelo serviço.”. Eu disse que não tinha problema. Preparei o corpo e o deixei no necrotério. Levamos o corpo para ser velado numa igreja evangélica no bairro Marília. O irmão do rapaz, que o pessoal do hospital encontrou no dia seguinte para lá de Belo Horizonte, na roça, quis me pagar o funeral. O pessoal do hospital comenta até hoje. Enquanto a outra funerária chegou perguntando “quem vai pagar?”, eu cheguei e pedi para arrumar. No entanto, ainda recebi o valor da urna. Não cobrei o valor do trabalho.
- O SR. CHEGOU A VENDER O PLANO DE ASSISTÊNCIA FAMILIAR PESSOALMENTE?
Sim. Já bati de porta em porta, com a pasta debaixo do braço. Até que veio a ocorrer mais funerais e tive que parar de vender o plano.
- QUANDO DESPERTOU EM VOCÊ ESSA FORMA DE ENCARAR AS ADVERSIDADES DA VIDA SEMPRE FAZENDO O MELHOR DE SI?
Desde criança. Sempre gostei de fazer as coisas bem feitas, com muita dedicação. Tanto é que assim que eu passei umas três semanas dormindo muito mal. Não vinha sono por causa da preocupação, pela ansiedade de ver a drogaria falir. Hoje é um sucesso, mas no início me tirou o sono. Foi dedicação mesmo, 24 horas.
- O SR. COMEÇOU EM LAGOA NUM CÔMODO ALUGADO, NUM VEÍCULO USADO E UM PEQUENO CAPITAL. HOJE QUAL É O PATRIMÔNIO DO GRUPO MINASPREV?
Temos nove funerárias. São mais de trinta veículos, uma drogaria, um laboratório de análises clínicas e o Plano de Assistência Familiar, que cobre em torno de 50 mil pessoas.
- PRETENDE INSTALAR A DROGARIA MINASPREV E LABORATÓRIO MINASPREV EM OUTRAS CIDADES?
Esse é o objetivo. Agora no inicio de 2013 iremos inaugurar nossa primeira filial da Drogaria Minasprev em Bom Despacho-MG.
- SE O SR. FOSSE RESUMIR O SEGREDO DO SUCESSO EM POUCAS PALAVRAS, QUAIS SERIAM?
Dedicação, honestidade e perseverança. Você tem que se dedicar aquilo que você gosta. Ter perseverança porque nem tudo ocorre como você planeja. Ter honestidade para acreditar no sonho, na pior das situações, e ser honesto consigo mesmo e com os outros.


